Entenda a corrupção com base nas palavras do Papa Francisco

Corrupção não é pecado

Corrupção é consequência da repetição de pecados, o que limita a capacidade de amar. Nas rodas de conversa, é só puxar o assunto que o papo rende. Em tempos de Lava-Jato, operação da Polícia Federal – que já completa três anos –, tornou-se habitual associar corrupção às estruturas políticas. Porém, o objetivo deste texto é ampliar a visão desse tema que, infelizmente, atinge todas as áreas. Inclusive, há corrupção dentro de nós, em nossa casa, comunidade e igreja.

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Em 2005, o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, escreveu um livro intitulado ‘Corrupção e Pecado’, o qual nos ajuda nessa reflexão tão importante e atual. Embora seja um ato intrinsecamente ligado ao pecado, distingue-se dele em algumas coisas. Pecado reiterativo conduz à corrupção. Não é a repetição de pecados que provocam um corrupto, mas os hábitos de má qualidade que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar. O coração vai se encolhendo, perdendo os horizontes, e o egoísmo passa a ser sua maior referência.

Processo de morte

Ações corruptas levam pessoas e instituições a um processo de decomposição. Perde-se a capacidade de ser, crescer e servir. É um verdadeiro processo de morte. A vida morre, fica a corrupção. É como uma folhagem que se desenvolve, alimentada pelo húmus da fraqueza humana e da cumplicidade.

Pecadores sim, corruptos não!

Geralmente, relacionamos corrupção ao pecado, mas não é bem assim. “Situação de pecado e estado de corrupção são duas realidades diferentes, embora intimamente entrelaçadas”, explica Bergoglio. Isso não significa que a corrupção faça parte da vida normal da sociedade. Tais atos devem ser denunciados e combatidos. Pecado se perdoa. Corrupção não pode ser perdoada. Diante do Deus que não se cansa de perdoar, a autossuficiência do corrupto vira um bloqueio, que o impede de pedir perdão.

Deus aceita o pecador

“Pecador sim!” Como é lindo reconhecer-se pecador e poder sentir a misericórdia do Pai das Misericórdias, que nos acolhe a todo momento! Mas como é difícil para um coração corrupto deixar-se alcançar pelo vigor profético do Evangelho!

“Quem não rouba é trouxa”, diz o ‘cara de vaso’”. A autossuficiência é um escudo que isola e não permite questionamentos. Defende que “quem não rouba é trouxa”. Francisco afirma que “o corrupto construiu uma autoestima baseada justamente nesse tipo de atitudes enganosas, caminha pela vida pelos atalhos do vantajoso a preço de sua própria dignidade e a dos outros”. E o pior, esconde-se em uma cara de inocente.

Sintomas da corrupção

O corrupto adquiriu características de verme: tem medo da luz, vive nas trevas, debaixo da terra. Diante de críticas, enfurece-se, desqualifica pessoas ou instituições que o criticam. Procura aniquilar toda autoridade moral que o possa questionar. Usa de todo tipo de argumento para se justificar. Desvaloriza os outros e insulta quem pensa diferente dele. De maneira inconsciente, persegue-se, projetando-se nos outros, tornando-se perseguidor. Assim como quem tem mal hálito, o corrupto não percebe sua corrupção. Os outros que o sentem é que têm de lhe dizer.

A corrupção tem cheiro de podre. “Quando alguma coisa começa a cheirar mal, é porque existe um coração preso sob pressão entre sua própria autossuficiência imanente e a incapacidade real de bastar a si mesmo; há um coração podre por conta da excessiva adesão a um tesouro que o aprisionou”, afirma.

No Evangelho, o corrupto faz armadilhas para Jesus (cf. Jo 8, 1-11; Mt 22, 15-22; Lc 20, 1-8), cria intrigas para tirá-lo do caminho (Jo 11, 45-57; Mt 12, 14), suborna quem tem capacidade de trair (Mt 26, 14-16).

Consequências

A corrupção tende a asfixiar a força da Palavra de Deus. Pode levar ao desmoronamento pessoal ou social.

O remédio

O remédio para essa doença é o Evangelho. A verdade de Cristo é a força para sacudir a alma, ensinar a discernir os estados de corrupção que nos circundam com ameaças e seduções. Por isso, é preciso declarar com força e temor: “pecador sim, corrupto não”.

O estado de corrupção não pode ser aceito como mais um pecado. Corrupção é consequência de um coração corrupto. “O coração não é uma última instância do homem, fechada em si mesma”, esclarece o Papa. Ele orienta ainda que o coração humano é coração na medida em que é capaz de amar ou negar o amor (odiar).

Onde está o teu tesouro?

“Porque onde está teu tesouro, lá também estará o teu coração” (Mt 6,21). Francisco indica conhecer o tesouro que está no coração, portanto, a referência para a sua vida. O tesouro que está no coração liberta e plenifica, destrói e escraviza; neste último caso, o tesouro que o corrompe. Como o corrupto vive anestesiado, Deus o salva por meio de provações que lhe cabe viver como doenças, perdas de fortuna e de entes queridos. Essas quebras da estrutura corrupta permitem a entrada da graça e a cura.

Rodrigo Luiz dos Santos
Editor-chefe de Jornalismo da TV Canção Nova e apresentador. Missionário na Canção Nova é casado com Adelita Stoebel e pai de Tobias, estudou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova.

Em Roma, delegação portuguesa comemora canonização dos pastorinhos

Cardeal Ângelo Amato presidiu a celebração de ação de graças na Basílica de São Pedro, em Roma

Da redação, com Agência Ecclesia

Delegação portuguesa em celebração em ação de graças pela canonização dos pastorinhos./ Foto: Ecclesia

Um conjunto de celebrações assinalou este sábado, 20, em Roma, a canonização de Francisco e Jacinta Marto, pastorinhos de Fátima, com a presença de uma delegação portuguesa.

Uma semana após a canonização na Cova da Iria, a Basílica de São Pedro acolheu uma celebração presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das Causas dos Santos (Santa Sé).

“A santidade não tem idade, a Luz de Deus manifesta-se nos pequenos e grandes, e por isso a santidade dos pequenos não deve surpreender, é uma manifestação celeste”, disse o responsável da Santa Sé, numa intervenção citada pelo Santuário de Fátima.

O cardeal italiano disse que a santidade de Francisco e Jacinta Marto “mostra a simplicidade dos inocentes”, recordando que “Fátima tem uma mensagem de salvação para o mundo”.

Já de tarde, Aula Magna da Pontifícia Universidade Gregoriana recebeu uma conferência sobre a espiritualidade dos novos santos portugueses.

D. António Marto, que encerrou o evento, assinalou que “Francisco e Jacinta Marto são os primeiros destinatários da mensagem de Fátima e assim colaboradores de Deus na sua mensagem de misericórdia”.

O bispo de Leiria-Fátima confessou estar de “coração em festa” ao recordar o “valor da vida invisível de Francisco e Jacinta, que não eram famosos, nem tinham acesso a redes sociais, viviam no silêncio a experiência da fé”.

O programa comemorativo encerrou-se à noite, com um concerto de Giampaolo di Rosa na Igreja de Santo António dos Portugueses.

Papa dá dicas para educação dos jovens na fé e para a vida

Encontro com jovens recém-crismados foi o último compromisso da visita pastoral do Papa a Milão neste sábado

Jéssica Marçal
Da Redação

Antes de se despedir de Milão neste sábado, 25, onde realizou uma visita pastoral, o Papa Francisco teve um encontro com os jovens recém-crismados. Ele respondeu a três perguntas: de um jovem, de um casal e de uma catequista.

A primeira pergunta dirigida a Francisco foi sobre o que ele fez, quando jovem, para fazer crescer sua amizade com Jesus. O Papa citou, primeiramente, os avós. “Os avós têm sabedoria da vida e eles, com aquela sabedoria, nos ensinam como ir mais próximo a Jesus. (…) Um conselho: falem com os avós, perguntem o que quiserem, escutem os avós, é importante nesse tempo falar com os avós”.

 

Francisco também indicou brincar com os amigos, sem insultar, brincar como Jesus brincava. “Jesus brincava com os outros, faz bem a nós brincar com os amigos, porque quando o jogo é limpo se aprende a respeitar os outros, se aprende a trabalhar todos juntos e isso nos une a Jesus”.

Além dos avós e dos amigos, a paróquia também ajudar a cultivar a amizade com Jesus, disse o Papa. “Ir à paróquia, ao oratório, reunir-se com os outros. Isso é importante. Essas três coisas são um conselho que eu vos dou: essas três coisas farão vocês crescer na amizade com Jesus, porque com isso você rezará mais. Oração é o fio que une as três coisas”.

Transmissão da fé

Já o casal quis saber como transmitir aos filhos a beleza da fé sem ser “chato” e banal”. “Creio que esta é uma das perguntas-chave que toca a nossa vida como pais, como pastores, como educadores”, disse o Papa.

“Convido vocês pais a se tornarem filhos novamente, por alguns minutos, e recordar as pessoas que ajudaram vocês a crescer. O pai, a mãe, os avós, uma catequista, uma tia, o pároco, um vizinho, quem sabe…Todos temos na memória, mas especialmente no coração, alguém que nos ajudou a crer”. O Papa contou que, no seu caso, foi um padre, um verdadeiro apóstolo do confessionário, um homem bom, misericordioso, trabalhador, e assim o ajudou a crescer na fé.

Esse exercício, segundo Francisco, é porque os filhos observam muito os pais. “As crianças nos olham e vocês não imaginam a angústia de uma criança quando os pais brigam. E quando os pais se separam, elas pagam a conta. Quando se traz um filho ao mundo é preciso ter consciência disso. Nós tomamos a responsabilidade de fazer essa criança crescer na fé”.

Nesse sentido, Francisco indicou aos pais a leitura da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre o amor na família, em especial o primeiro capítulo. “Não se esqueçam: quando vocês brigam, as crianças sofrem e não crescem na fé”.

Outra dica dada pelo Papa foi fazer aquilo que em Buenos Aires se chama “dominguear”, ou seja, “fazer domingo”. É um hábito de, após a Missa, levar os filhos a um parque, a uma praça, e brincar com eles. Por fim, ele falou da educação familiar na solidariedade. “A fé cresce com a caridade e a caridade aumenta com a fé”.

Educação dos jovens

A terceira e última pergunta foi sobre uma “comunidade educadora”: como pode se abrir à escuta e ao diálogo com todos os educadores envolvidos com as crianças. A resposta de Francisco foi pontual: educação baseada no tripé pensar-fazer-sentir (mente, mãos, coração).

O Papa considera importante que os educadores saibam discernir o talento dos alunos para direcioná-los no caminho. “Entre os nossos estudantes há alguns que são levados para o esporte, não tanto para as ciências e outros se saem melhor na arte que na matemática e outros na filosofia mais que no esporte. Um bom mestre, educador ou treinador sabe estimular as boas qualidades de seus alunos e não negligenciar outras; procurando sempre a complementaridade. Ninguém pode ser bom em tudo e devemos dizer isso aos nossos alunos: sejam complementares”.

Antes de encerrar o diálogo com os jovens, o Papa falou sobre a prática do bullying. Ele pediu que os jovens prometessem a ele e a Jesus que, se um dia já fizeram isso, nunca mais farão nem permitirão que outros façam. 

 

Começam os preparativos para a JMJ 2019 no Panamá

No dia 12 de janeiro será o primeiro encontro com representantes das paróquias sobre a acolhida dos peregrinos

Gaudium Press

 

Ainda que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Panamá esteja agendada para o ano de 2019, os preparativos não se fazem esperar. E um dos temas que requerem maior atenção é a acolhida dos milhares de peregrinos de todo o mundo que se encontrarão no evento da juventude católica.

Por esta razão, centenas de famílias já se aproximaram das paróquias panamenhas para oferecer suas casas e receber aos jovens que chegarão à Cidade do Panamá para a JMJ, que contará com a presença do Sumo Pontífice.

Os detalhes sobre a acolhida dos peregrinos foram dados por Víctor Chang, secretário-executivo da JMJ Panamá 2019, junto com Luis Ponce, a cargo da logística, durante um encontro natalino com os sacerdotes, religiosos e religiosas da Arquidiocese do Panamá.

De acordo com Chang, é necessário que as famílias que acolham aos jovens cumpram com alguns requisitos, entre eles um espaço seguro e limpo, adequado para seu descanso, acesso aos serviços higiênicos, cuidar de sua saúde e compartilhar com eles tempo de família durante o período que permaneçam alojados. 

O secretário-executivo da JMJ também adiantou que no próximo dia 12 de janeiro ocorrerá o primeiro encontro com representantes das paróquias que animarão o tema da acolhida dos peregrinos. “São leigos que terão a tarefa de realizar uma sondagem nas paróquias (…) com essa informação saberemos com quem contamos”, precisou.

Por sua parte, Ponce assinalou que além das famílias, também se adequarão lugares de hospedagem para os peregrinos em escolas, salões paroquiais, espaços para acampamentos, ginásios, entre outros, como ocorreu nas outras Jornadas Mundiais da Juventude.

O próprio prefeito do recém-criado dicastério vaticano para os Leigos, a Família e a Vida -a cargo da organização do evento mundial-, o Cardeal Kevin Farrell, visitou em dezembro a capital panamenha para acompanhar os preparativos da Jornada.

O objetivo de sua visita foi conhecer o país, sua realidade social e eclesial, além de avaliar os lugares onde se levarão a cabo os atos centrais da JMJ, assim como estreitar laços com o Comitê Organizador Local.

Em julho, o Papa Francisco anunciou durante a JMJ de Cracóvia que a próxima sede do encontro mundial seria no Panamá cujo tema é “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra”, o qual é de grande significado para a Arquidiocese panamenha pelo papel protagonístico de Maria, na invocação de Nossa Senhora la Antiga, na fundação da cidade; já que -como destacou a Arquidiocese do Panamá em nota de imprensa-, “através dEla entrou o Evangelho a terra istmeña e se irradiou por todo o continente”.

Dormitórios do Vaticano ficarão abertos 24h para acolher os sem-teto

Para aqueles que não querem ir aos dormitórios colocados à disposição, a Esmolaria do Vaticano está distribuindo sacos térmicos de dormir

Rádio Vaticano

As baixas temperaturas que tem se verificado na Itália em decorrência de uma massa de ar polar, levaram o Papa Francisco a tomar uma série de medidas para oferecer ajuda e um abrigo aos sem-teto que vivem nas cercanias do Vaticano.

Em declarações à Agência Ansa, o Arcebispo Konrad Krajewski,  responsável pela Esmolaria Pontifícia, informou que os dormitórios permanecerão abertos 24 horas, e a qualquer pessoa que bater à porta, será oferecido um lugar aquecido e alimento, mesmo que todas as camas estejam ocupadas.

Desta forma, permanecerão abertos o dormitório “Dom de Maria”, gerido pelas Irmãs da Caridade, o dormitório da Via Ratazzi e o dormitório “Dom de Misericórdia”, localizado na Via dei Penitenzieri, que desde sexta-feira, 6, já acolhe 20 pessoas além de sua capacidade.

Para aqueles que não querem ir a um dos dormitórios colocados à disposição, a Esmolaria está distribuindo sacos térmicos de dormir – com capacidade para resistir a temperaturas de até – 20°C – assim como automóveis da instituição.

“O carro, naturalmente, não pode ficar ligado durante toda a noite, porque é perigoso – explica Dom Krajewski – mas como um abrigo já é alguma coisa”.

Um dos beneficiados, por exemplo, foi um morador de rua de 85 anos, que dormiu em um Fiat Qubo, colocado à disposição pela Esmolaria Pontifícia.

“Fazemos todo o possível”. Aos sem-teto “são levadas também sopas quentes, sanduíches e chocolate quente para fornecer calorias”, explicou o Esmoleiro, cuja obra – em concordância com o Pontífice – é totalmente financiada com os recursos provenientes dos pergaminhos papais (“Bênção Apostólica”).

Também os militares do Exército colaboram com a Esmolaria, assim como uma equipe da Guarda Suíça que auxilia Dom Krajewski nos giros noturnos que faz pela cidade de Roma em busca de pessoas necessitadas.

“Isto sempre acontece – ressaltou o arcebispo polonês – mas agora multiplicamos estes serviços