O Paraiso de Deus é o coração do homem


O Paraiso de Deus é o coração do homem



O grande erro é tratar Deus com desconfiança


Deus vos ama! Amai – O.(…)
Habituai- vos a falar- lhe a sós, com familiaridade, confidência e amor como a um vosso amigo, ao amigo mais caro que têm e que mais vos ama.
E se é um grande erro, como foi dito, o tratar Deus com desconfiança (…) erro maior será pensar que conversar com Deus só seja aborrecimento e amargura.
Não, não é verdade: – porque a sua conversação não tem nada de desagradável, nem a sua convivência nada de fastidioso – (Sb 8,16).
Perguntai às almas que o amam com um amor verdadeiro e vos responderão que nas penas das suas vidas não encontraram maior e verdadeiro alívio que naquele que encontraram conversando amorosamente com Deus.
Não é que se vos pede uma aplicação contínua da vossa mente para que vos esqueceis dos vossos afazeres e do vosso entretenimento.
O vosso Deus está sempre perto de vós, ou melhor, dentro de vós: (Act 17,28).
Não existe um porteiro para quem deseja falar- lhe; pelo contrário, Deus aprecia que vós lideis confidencialmente com ele.
Falai- lhe dos vossos afazeres, dos vossos projetos, dos vossos temores e de tudo aquilo que vos pertence.
Fazei- o sobretudo, como eu disse, com confidência e de coração aberto, porque Deus não sabe falar com uma alma que não lhe fala; dado que não estando habituada a lidar com ele, entenderá mal a sua voz quando ele lhe falará.
Ele, sem esperar que vos dirijais a ele, quando desejais o seu amor, antecipa-se trazendo-vos as suas graças e os seus remédios dos quais precisais. Só espera que lhe faleis, para vos demonstrar o quanto vos está próximo e pronto para vos escutar e consolar(…).
O nosso Deus habita no alto dos céus, mas não desdenha de entreter-se, dia e noite, com os seus filhos fiéis e participa-lhes as suas consolações divinas, das quais somente uma supera todas as delícias que ele pode dar ao mundo, e só não as deseja quem não as experimenta.
Extraído de “Opere Ascetiche” de S. Alfonso Maria de Liguori, (CSSR, Roma 1933, Vol. I, pp. 316-318)


S. Alfonso Maria de Liguori
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