A espiritualidade da Quinta-feira Santa é repleta de sentido

A Quinta-feira Santa faz parte da preparação para a Páscoa

Neste dia, começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.

Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes sacramentos da ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote, mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a salvação que Ele conquistou com a Sua Morte e Ressurreição.

A-espiritualidade-da-Quinta-feira-Santa-é-repleta-de-sentido-Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15).

Na celebração da Páscoa, após instituir o sacramento da Eucaristia, ele disse aos discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras, Ele instituiu o sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (cf. Lc 22,17-19)

Na noite em que foi traído, mais Ele nos amou, pois bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que “antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.” (Jo 13,1)

Instituição do sacramento da confissão

Depois que Jesus passou por toda a terrível Paixão e Morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.

Aos mesmos discípulos ele vai dizer, depois, no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava, assim, instituída também a sagrada confissão, o sacramento da penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o Seu Sangue.

Na noite da Ceia Pascal, o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que, no Seu Reino, “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver; quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva; ela nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.

Confira no vídeo abaixo uma explicação sobre esse tempo na Igreja:

 

Nessa mesma noite, Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que instituiu sobre Pedro e os apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isso, a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paulo chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo, desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado até hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.

”E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17).

Igreja, coluna e fundamento da verdade

Que promessa maravilhosa! O Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que, um dia, a Igreja errou o caminho? Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.

”Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14, 25-26)

Na Última Ceia, o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé, ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.

Na mesma Santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16,12-13)

Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas lhes assegura que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.

São essas promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os sacramentos da Eucaristia e da ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, Ele concluiu a obra que o Pai Lhe confiou, antes de consumar Sua missão na cruz.

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Oração para fazer diante de Jesus Eucarístico

Oração para iniciar a adoração

Meus Senhor Jesus Cristo, que por amor aos homens ficais dia e noite nesse sacramento, todo cheio de misericórdia e amor, esperando, chamando e acolhendo todos os que vêm visitar-­Vos, eu creio que estais presente no sacramento do altar.

 

Adoro-Vos do abismo do meu nada e dou-­Vos graças por todos os Vossos benefícios, especialmente por Vos terdes dado a mim neste sacramento, por me terdes concedido por advogada Maria, Vossa Mãe Santíssima, e, finalmente, por me haverdes chamado para Vos visitar nessa igreja.

Saúdo, hoje, Vosso coração amantíssimo. Primeiro, em agradecimento pelo grande dom de Vós mesmos; segundo, em reparação pelas injúrias que Tendes recebido neste sacramento.

Meu Jesus, amo-­Vos de todo o meu coração. Arrependo-­me de, no passado, ter ofendido tantas vezes Vossa bondade infinita. Proponho, com Vossa graça, não mais Vos ofender no futuro. Nesta hora, miserável como sou, consagro-­me todo a Vós, dou e entrego-Vos minha vontade, meus afetos, meus desejos e tudo o que me pertence. Daqui em diante, fazei de mim e de tudo o que sou eu o que Vos aprouver.

Somente Vos peço e quero Vosso amor, a perseverança final e o perfeito cumprimento da Vossa vontade.

Recomendo-Vos as almas do purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e da Virgem Maria. Recomendo-­Vos também todos os pobres pecadores. Enfim, amado Salvador meu, uno todos os meus afetos aos afetos do Vosso coração amantíssimo e, assim unidos, eu os ofereço a Vosso eterno Pai, pedindo-­Lhe em Vosso nome e, por Vosso amor, que se digne a aceitá-­los e atendê-­los.

Ó Jesus, Pão vivo descido do Céu, como é grande Vossa bondade! Para perpetuar a fé em Vossa presença real na Eucaristia, com extraordinário poder, dignastes-Vos mudar as espécies do pão e do vinho em Carne e Sangue, como se conservam no Santuário Eucarístico de Lanciano.

Aumentai sempre mais a nossa fé em Vós, Senhor sacramentado! Ardendo de amor por Vós, fazei com que, nos perigos, nas angústias e nas necessidades, só em Vós encontremos auxílio e consolação, ó divino Prisioneiro dos nossos tabernáculos, ó fonte inesgotável de todas as graças.

Suscitai em nós a fome e a sede do Vosso alimento eucarístico, para que, saboreando este pão celeste, possamos gozar da verdadeira vida, agora e sempre. Amém.

Oração ao Coração de Jesus na Eucaristia

Coração de Jesus na Eucaristia, amável companheiro do nosso exílio, eu Vos adoro! Coração Eucarístico de Jesus, Coração solitário, eu Vos adoro!
Coração humilhado, eu Vos adoro!
Coração abandonado, Coração esquecido, Coração desprezado, Coração ultrajado, eu Vos adoro!
Coração desconhecido dos homens, Coração amante, eu Vos adoro! Coração bondoso, eu Vos adoro!
Coração que desejais ser amado, Coração paciente em esperar-nos, eu Vos adoro!
Coração interessado em atender-­nos, Coração desejoso de ser suplicado, eu Vos adoro!
Coração, fonte de novas graças, silencioso, que desejais falar às almas, eu Vos adoro!
Coração, doce refúgio dos pecadores, eu Vos adoro!
Coração, que ensinais os segredos da união divina, eu Vos adoro!
Coração Eucarístico de Jesus, eu Vos adoro!

Oração a Jesus Sacramentado

Meu Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, eis-­me aqui em companhia da Santíssima Virgem, dos Anjos, dos Santos do Céu e dos justos da Terra, para visitar-­Vos e adorar-Vos nesta Hóstia Consagrada. Creio firmemente que estais tão presente, poderoso e glorioso como estais no Céu; e pelos Vossos méritos, espero alcançar a glória eterna, seguindo em tudo Vossas divinas inspirações; e em agradecimento de Vosso divino amor, quero amar-­Vos com todo o meu coração e minha alma, potências e sentidos.

Suplico-­Vos, Salvador de minha alma, pelo Sangue precioso que derramastes em Vossa circuncisão e em Vossa Santíssima Paixão, que exerciteis comigo este ofício de Salvador, dando-­me, pela intercessão de Vossa Santíssima Mãe, os dons da oração juntamente com a perseverança, para que, quando deixar esta vida, me guieis à glória eterna que gozais no Céu. Amém.

Oração a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Ó Virgem Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, glória do povo cristão, alegria da Igreja Universal, Salvação do mundo, rogai por nós e despertai em todos os fiéis a devoção à Santíssima Eucaristia, a fim de que se tornem dignos de comungar todos os dias.

Ó Santíssima e Imaculada Senhora, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e nossa, nós, os pecadores, pedimos-vos que nos alcanceis de vosso Divino Filho Sacramentado todos os dons e graças de que necessitamos, para vivermos sustentados de Seu amor, para adquirirmos os merecimentos de Seus fiéis escravos e para termos a felicidade de, com Ele e convosco, viver por todos os séculos dos séculos. Amém.

Salve, Rainha…

Eu Te adoro, ó Cristo, Deus no Santo Altar. Em Teu Sacramento vivo a palpitar!
Dou-Te partilha, vida e coração, pois de amor me inflamo na contemplação!
Tato e vista falham, bem como o sabor; só por meu ouvido tem a fé vigor. Creio no que disseste, ó Jesus, meu Deus!
Verbo da Verdade vindo a nós dos céus!
Tua divindade não se viu na cruz, nem a humanidade vê-se aqui, Jesus!
Ambas eu confesso como o bom ladrão, e um lugar espero na eterna mansão!
Não me deste a dita, como a São Tomé, de tocar-­Te as chagas, mas eu tenho fé!
Faze que ela cresça como o meu amor, e a minha esperança tenha novo ardor!
Dos Teus sofrimentos é memorial esse Pão de Vida, Pão Celestial!
Dele eu sempre queira mais me alimentar, sentir-­Lhe a doçura divinal sem par!
Bom Pastor piedoso, Cristo, meu Senhor, lava no Teu Sangue a mim, tão pecador!
Pois que uma só gota pode resgatar do pecado o mundo e o purificar!
Ora Te contemplo sob espesso véu, mas desejo ver-­Te, Bom Jesus, no Céu, face a face.
Um dia, poderei de Ti gozar, nessa doce pátria, e sem fim Te amar.

Oração retirada do livro “Uma vista ao Santíssimo Sacramento”

O que a Igreja diz sobre purgatório?

Se quem já morreu não pode fazer nada por si mesmo, o que os vivos poderão fazer por quem já se foi?


Se temos uma certeza a respeito da vida é que a morte um dia virá, ela é certa; cedo ou tarde nós nos depararemos com ela. O que nos consola como cristãos é a nossa fé na ressurreição. Jesus ressuscitou e com Ele todo aquele que n’Ele crer ressuscitará. Talvez, você já tenha se perguntado: “O que vai ser daquele meu parente ou amigo que faleceu? Ele era gente boa, porém, tinha uns pecados. Ele vai para o céu? E se eu morrer, mas não estiver “tão em Deus”, o que vai ser de mim?”.


O que a bíblia diz sobre o purgatório 940x500


O ideal é que morramos em Deus, sem pecados, e que tenhamos vivido a reconciliação com todos com amor e gratidão. Enfim, se morrermos em Jesus Cristo, na pureza e sem pecado, com certeza o céu será o nosso destino final, pois lá é a morada dos santos. Devemos, dia após dia, viver o anúncio de Jesus Salvador para alcançarmos a pátria eterna que, por misericórdia, Ele concede aos Seus filhos.


Parece impossível, não é? Mas muitos santos conseguiram, e eles eram pessoas como nós. De qualquer forma, se morrermos não tão santos ou com alguns pecados, a Igreja nos ensina sobre o Purgatório, o lugar da purificação final dos eleitos, daqueles que morreram em Deus, mas ainda precisam de purificação para chegar à glória dos céus.


Foi no Concílio de Florença e de Trento que se desenvolveu a fé no purgatório. Na Bíblia, há algumas passagens que falam desse fogo que purifica (I Cor 3,15; I Pd 1,7). O segundo livro do Macabeus 12,46 fala de Judas, que ofereceu sacrifícios em expiação dos pecados de falecidos. Quando se menciona Purgatório, não diz respeito aos condenados ao céu ou ao inferno, não se trata ainda de um lugar, mas de um estado onde é possível a purificação. Assim, como em nossas orações, preces, Missas e em nossos jejuns somos purificados, quem já morreu não pode fazer mais nada por si mesmo.


Se quem já morreu não pode fazer nada por si mesmo, o que os vivos poderão fazer por quem já se foi? Cremos na comunhão dos santos e no batismo que nos une a Cristo. Por meio de orações, sacrifícios e, principalmente, pela celebração da Santa Eucaristia pedimos pelos falecidos, por aqueles que partiram.


Por fim, irmãos, essa é a nossa fé católica. Vamos com muita confiança viver nossa vida cristã na busca constante e perseverante pela santidade. Vamos, com muita garra, anunciar Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e orar por aqueles que partiram, por parentes e amigos falecidos. Vamos rezar também por aqueles que morreram esquecidos, perdidos ou abandonados, para que também sejam purificados pelo fogo do Senhor e cheguem ao Seu Reino.



Padre Marcio

Origem da festa de Corpus Christi

A Igreja celebra a Festa de Corpus Christi  solenemente a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia


Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no Pão e no Vinho consagrados na Santa Missa desde os primórdios da Igreja.


Origem da festa de Corpus Christi
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 


Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em Carne e o Vinho consagrado transformou-se em Sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71, e revelou ao mundo resultados impressionantes:


A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos. O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente ele continua líquido. Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas. São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus. Todas as células e glóbulos continuam vivos. A Carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e este órgão sempre foi símbolo de amor!).


Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia. Alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana, cujas visões solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o Papa Urbano IV estendeu a solenidade para toda a Igreja. Nessa celebração religiosa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.


A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo por nós. Mesmo separando Seu Corpo e Seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Cristo e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui, na Terra, mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.


O centro da Celebração Eucarística será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como Ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!



 



Felipe Aquino

Igreja não mudou posição sobre homossexuais, afirma cardeal

Cardeal Odilo Scherer diz que interpretação sobre mudança de postura da Igreja quanto aos homossexuais é errônea


Kelen Galvan
Da redação, com colaboração de Danusa Rego


A Igreja não mudou sua posição em relação às uniões de pessoas do mesmo sexo. Foi o que afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, que participa dos trabalhos da 3º Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, sobre a Família, no Vaticano, em entrevista exclusiva à nossa correspondente em Roma, Danusa Rego.


O cardeal comentou a repercussão das mídias, que, em alguns casos, trouxeram interpretações equivocadas sobre o relatório da primeira semana do Sínodo, apresentado nesta segunda-feira.


Dom Odilo enfatizou que o relatório foi apenas um “apanhado” geral de tudo o que foi apresentado rapidamente em mais de 200 intervenções, e o texto ainda passará por discussões. Ele lembrou também que o documento final do Sínodo será concluído apenas em outubro de 2015.


Outro alerta do cardeal foi a respeito de decisões de Francisco. Segundo ele, “não houve nenhuma decisão do Papa”, pelo contrário, o Santo Padre está em atitude de escuta. “Ele está participando de quase tudo, quietinho, ouvindo, porque o Sínodo é chamado justamente a falar, e o Papa ouve”, explicou.


Leia a entrevista completa:


Canção Nova – Dom Odilo, na segunda-feira, o Cardeal Péter Erdõ, leu o chamado relatório pós-congregações, que sabemos não ser ainda o documento final do Sínodo, não é mesmo?


Dom Odilo – De fato, esse relatório, preparado pelo Cardeal Erdõ, de Budapeste, que é o relator geral do Sínodo, ajudado naturalmente pela equipe de secretaria, tentou trazer uma síntese de tudo o que foi apresentado durante a semana, por mais de 200 intervenções dos membros do Sínodo, que falaram por três ou quatro minutos.


Portanto, foram muitas intervenções e o relator fez um apanhado organizando essas sínteses com uma reflexão, títulos e assim por diante.


Então, esse relatório não é ainda uma decisão, não é um documento do Sínodo. É um relatório. E um relatório que, naturalmente, está sendo trabalhado ulteriormente pelo Sínodo, porque os grupos menores são parte da metodologia.


O Sínodo é maior que o trabalho do relator. Então, o Sínodo continua trabalhando sobre esse relatório agora para complementar, ampliar, aprofundar e cortar, se for o caso, alguma questão. E, naturalmente, isso parte da metodologia do Sínodo.


O que eu quero destacar é que, de fato, esse relatório apresentado é de síntese, não é nenhum documento aprovado.


Canção Nova – Ontem, um dos cardeais afirmou ter visto com surpresa a forma que algumas mídias noticiaram os fatos dessa semana, como se o Papa já tivesse decidido alguma coisa. Lemos em alguns jornais, por exemplo, que os bispos defendem mudanças profundas na relação do Vaticano com os homossexuais, e que bispos conservadores estariam reagindo à abertura da Igreja com relação aos gays. O senhor poderia também esclarecer essa questão?


Dom Odilo – Para começar, não houve nenhuma decisão do Papa. Ele está participando de quase tudo, quietinho, ouvindo, porque o Sínodo é chamado justamente a falar e o Papa a ouvir. O Papa não está intervindo constantemente. Ele ouve. E, portanto, não tomou nenhuma decisão.


Então, noticiar que o Sínodo tomou essa decisão, mudou isso ou aquilo, não é verdade. Isso ainda não aconteceu nem é parte da metodologia do Sínodo, mas o Papa incentivou que todos tivessem a coragem de falar, francamente e livremente.


Ele até disse: “Quem garante a unidade da Doutrina é o Papa; portanto, falem livremente, porque nós estamos num Sínodo”. Sínodo significa um caminho, a busca de um caminho comum.


As reflexões evidentemente não são todas iguais. Nos mais de 200 participantes desta Assembleia Sinodal, há muitas maneiras diferentes de ver as coisas. Isso tudo é apresentado; então, é claro que as posições não são iguais. Mas isso não significa que estão aí debatendo uns contra os outros, que está tendo partido aqui, bancada lá. Isso é uma fantasia que, talvez, caiba nos parlamentos políticos, mas não está acontecendo na Igreja.


O que está havendo é a livre manifestação das ideias, das reflexões que, agora, buscam chegar a um caminho comum. Sínodo é isso: um caminho comum, que, de toda maneira, ainda tem muitas etapas para fazer, para se chegar a um documento final. Inclusive, o caminho a fazer é a próxima Assembleia do Sínodo do ano que vem.


Canção Nova – Nós falamos dos homossexuais, talvez seja interessante esclarecer também que não é uma grande novidade a acolhida da Igreja para com essas pessoas, não é Dom Odilo?


Dom Odilo – De fato, às vezes, apresenta-se como grande novidade aquilo que já está, é parte da vida da Igreja, é parte das atitudes dela, da sua doutrina. Então, não houve também nada de mudança nesse sentido. É só olhar o que está nos documentos da Igreja a respeito dos homossexuais.


O que se disse erroneamente é que a Igreja mudou sua posição em relação à união de pessoas do mesmo sexo. Isso não aconteceu. Não houve uma mudança de posição.


O que houve no Sínodo foram várias considerações, porque isso também está na pauta, no Instrumento de Trabalho, a respeito das uniões de pessoas do mesmo sexo. Como encarar isso? Como encarar a presença dos homossexuais na Igreja? Como encarar a adoção de filhos e a educação deles? Como encarar duas pessoas do mesmo sexo que adotaram uma criança e querem batizá-la? Tudo isso foi refletido. Mas não houve mudança de posição na Igreja em relação àquilo que já se fazia.


Canção Nova – Para que as pessoas compreendam melhor, qual o clima desses trabalhos sinodais entre os cardeais, os bispos e até mesmo os leigos que participam dessas discussões?


Dom Odilo – O clima é muito bom, sereno e fraterno, de grande liberdade e de grande caridade também no escutar. Basta pensar que, na semana passada, ficamos a semana inteirinha, manhã e tarde, escutando os outros que falavam, e ficávamos quietinho. Eu falei duas vezes durante a semana e o resto foi escutar.


Então, a gente faz a caridade da escuta, da paciência, do discernimento, da acolhida de quem pensa diferente para chegar justamente a uma maior luz sobre a verdade que tem de ser acolhida e seguida.


O clima é muito fraterno, portanto, entre todos os participantes do Sínodo, isso não impede que cada um expresse livremente, com toda a sua convicção, aquilo que pensa; e isso é necessário, porque se todo mundo pensa a mesma coisa, nós não vamos para a frente nem seria necessário fazer um Sínodo.


Canção Nova – Como caminham os trabalhos dos círculos menores, em especial do grupo do qual o senhor participa?


Dom Odilo – Eu estou num grupo de língua espanhola. Infelizmente, não temos um grupo de língua portuguesa. Esse grupo é formado sobretudo de latino-americanos, de bispos de toda a América Latina e um ou outro da Espanha, portanto, bastante diversificado.


O grupo é muito vivo, muito interessado nas questões, com muitas sugestões, muita criatividade que está sendo manifestada. Nós estamos fazendo muitas propostas, emendas para enriquecer o texto e, depois, reapresentá-las no plenário, para que elas possam ser integradas ao texto global.